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Postado em 26 de Setembro de 2016 às 09h14

SÍNDROME METABÓLICA - TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO

ALIMENTAÇÃO (22)
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A síndrome metabólica (SM), reconhecida como um transtorno complexo, que associa fatores de risco cardiovasculares bem estabelecidos, como hipertensão arterial, hipercolesterolemia, e diabetes, comumente associados a deposição central de gordura e a resistência à insulina. Destaca-se a importância, sob o ponto de vista epidemiológico, responsável pelo aumento da mortalidade cardiovascular estimada em 2,5 vezes. Um enorme desafio na prática clínica!1,2,3,4,5,6

No Brasil, não possuímos dados representativos da SM da nossa população. Os dados que possuímos dizem respeitos à estudos realizados de forma regionalizada. Mas, em diferentes populações, como a mexicana, a norte americana e a asiática, a prevalência de SM é elevada. Cabe destacar, que, dependendo do critério utilizado e das características da população estudada, as taxas variam de 12,4% a 28,5% em homens e de 10,7% a 40,5% em mulheres7,8,9,10.

Os critérios atualmente utilizados para definir a Síndrome Metabólica são os propostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e National Cholesterol Education Program’s Adult Treatment Panel III (NCEP-ATP III).

A definição da OMS preconiza como ponto de partida a avaliação da resistência à insulina ou do distúrbio do metabolismo da glicose, o que dificulta a sua utilização, já o NCEP-ATP III foi desenvolvido para uso clínico e não exige a comprovação de resistência à insulina, facilitando a sua utilização. Logo, o NCEP-ATP III, a SM representa a combinação de pelo menos três componentes (Quadro 1). Justamente, pela sua simplicidade e praticidade é a definição recomendada pela I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica (I-DBSM - 2005)1

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Os principais fatores que contribuem para o surgimento da SM são a predisposição genética11, a alimentação inadequada12 e a inatividade física13, cuja prevenção primária é um desafio mundial contemporâneo, com importante repercussão para a saúde. Ainda mais com o aumento da prevalência da obesidade em todo o Mundo e especialmente no Brasil, há uma tendência especialmente preocupante do problema em crianças em idade escolar, em adolescentes e na população de mais baixa renda14.

Dessa forma o tratamento nutricional1 da SM, visa:

  • permitir a manutenção do balanço energético e do peso saudável15;
  • reduzir a ingestão de calorias sob a forma de gorduras15, mudar o consumo de gorduras saturadas para gorduras insaturadas15, reduzir o consumo de gorduras trans (hidrogenada)16;
  • aumentar a ingestão de frutas, hortaliças, leguminosas17 e cereais integrais18;
  • reduzir a ingestão de açúcar livre19; reduzir a ingestão de sal (sódio) sob todas as formas20,21.

A adoção de um plano alimentar e nutricional saudável é fundamental no tratamento da SM, sempre individualizado e prevendo uma redução de peso saudável e sustentável de 5 a 10% do peso corporal inicial. As necessidades de energia e de nutrientes (quadro 2) serão estabelecidas pelo Nutricionista, a partir da avaliação nutricional, através da antropometria (IMC, circunferências abdominal e do pescoço), da composição corporal, do consumo alimentar e do perfil metabólico do indivíduo1.
 

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Além destes, o sal de cozinha deve ser limitado a 6gao dia e os alimentos fonte de sódio, tais como os alimentos processados como embutidos, conservas, enlatados, defumados e salgados de pacotes tipo snacks deverão ser evitados. Assim, os temperos naturais como salsa, cebolinha e ervas aromáticas são recomendados em vez de condimentos industrializados1.

Cabe destacar que a adoção do modelo dietético DASH e da Dieta Mediterrânea que preconizam o uso de hortaliças, leguminosas, grãos integrais e frutas, laticínios com baixo teor de gordura total, gordura saturada e trans e colesterol, alta quantidade de gordura monoinsaturada (azeite de oliva) e ácidos graxos ômega-3 e fornece altas quantidades de potássio, magnésio e cálcio pode ser uma opção terapêutica na síndrome metabólica, mas somente quando associada a uma intervenção no estilo de vida1.

Cabe ressaltar que o plano alimentar deve ser fracionado em cinco refeições, sendo três principais e dois lanches. A forma de preparo dos alimentos, recomenda-se: grelhados, assados, cozidos no vapor ou até mesmo crus. Os alimentos diet e light podem ser indicados no contexto do plano alimentar e não utilizados de forma exclusiva. Deve-se, sempre, respeitar as preferências individuais e o poder aquisitivo do paciente e da família.


Nutr. Dra. Carina Rossoni
Professora Permanente do Programa de Mestrado em Biociência e Saúde UNOESC
Doutora em Clínica Cirúrgica: Obesidade e Síndrome Metabólica FAMED PUCRS
Especialista em Terapia Nutricional Parenteral e Enteral SBNPE
Bariatric Care Specialist SRC

Referências

1.Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 84, Suplemento I, Abril 2005.
2. Lakka HM, Laaksonen DE, Lakka TA, Niskanem LK, Kumpusalo E, Tuomilehto J et al. The metabolic syndrome and total and cardiovascular disease mortality in middle-aged men. JAMA, v. 288, p. 2709–2716, 2002.
3. Ford ES, Giles WH. A comparison of the prevalence of the metabolic syndromeusing two proposed definitions. Diabetes Care, v. 26, p. 575–581, 2003.
4. Haffner S, Taegtmeyer H. Epidemic obesity and the metabolic syndrome. Circulation, v. 108, p. 1541–1545, 2003.
5. Gang H, Qiao Q, Tuomilehto J, Balkau B, Borch-Johnsen K, Pyorala K for the DECODE Study Group. Prevalence of the metabolic syndrome and its relation to allcause and cardiovascular mortality in nondiabetic European men in women. Arch
Intern Med, v. 164, p. 1066–1076, 2004.
6. Girman CJ, Rhodes T, Mercuri M, Pyörälä K, Kjekshus J, Pedersen TR et al. for the 4S Group and the AFCAPS/TexCAPS Research Group. The metabolic syndrome andrisk of major coronary events in the Scandinavian Simvastatin Survival Study (4S) and the Air Force/Texas Coronary Atherosclerosis Prevention Study (AFCAPS/ TexCAPS). Am J Cardiol, v. 93, p. 136–141, 2004.
7. Ford ES, Giles WH. A comparison of the prevalence of the metabolic syndrome using two proposed definitions. Diabetes Care, v. 26, p. 575–581, 2003.
8. Gang H, Qiao Q, Tuomilehto J, Balkau B, Borch-Johnsen K, Pyorala K for the DECODE Study Group. Prevalence of the metabolic syndrome and its relation to allcause and cardiovascular mortality in nondiabetic European men in women. Arch Intern Med, v. 164, p. 1066–1076, 2004.
9. Aguilar-Salinas CA, Rojas R, Gómez-Perez FJ, Valles V, Rios-Torres JM, Franco A et al. High prevalence of metabolic syndrome in Mexico. Arch Med Res, v. 35, p. 76–81, 2004.
10. Oh J-Y, Hong YS, Sung Y-A, Connor-Barrett E. Prevalence and factor analysis ofmetabolic syndrome in an urban Korean population. Diabetes Care, v. 27, p. 2027–2032, 2004.
11. Bouchard C. Genetics and the metabolic syndrome. Int J Obes Relat Metab Disord, v. 19, suppl 1, p. S52–S59, 1995.
12. Liese AD, Mayer-Davis EJ, Haffner SM. Development of the multiple metabolic syndrome: an epidemiologic perspective. Epidemiol Rev, v. 20, p. 157–172, 1998.
13. Lakka TA, Laaksonen DE, Lakka H-M, Männikko N, Niskanenn LK, Rauramaa R et al. Sedentary lifestyle, poor cardiorrespiratory fitness, and the metabolic syndrome. Med Sci Sports Exerc, v. 35, p. 1279–1286, 2003.
14. Monteiro CA, Mondini L, Souza ALM, Popkin BM. The nutrition transition in Brazil. Eur J Clin Nutr, v. 49, p. 105–113, 1995.
15. Huper L, Summerbell CD, Higgins JPT, Thompson RL, Capps ME, Smith GE et al. Dietary fatty intake and prevention of cardiovascular disease: systematic review. BMJ, v. 322, p. 757–763, 2001.
16. Oomen CM, Ocke MC, Feskens EJM, vanErp-Baart MA, Kok FJ, Kromhou T. Association between trans fatty acid intake and ten-year risk of coronary disease in the Zutphen Elderly Study: a prospective population-based study. Lancet, v. 357, p.
746–751, 2001.
17. Singh RB, Dubnov G, Niaz MA, Ghosh S, Singh R, Rastogi SS et al. Effect of na Indo-Mediterranean diet on progression of coronary artery disease in high risk patients (Indo-Mediterranean Diet Heart Study): a randomized single-blind trial.
Lancet, v. 360, p. 1455–1461, 2002.
18. Liu S, Stampfer MJ, Hu FB, Giovannucci E, Rimm E, Manson JE et al. Wholegrainconsumption and risk of coronary heart disease: results from the Nurses’ Health Study. Am J Clin Nutr, v. 70, p. 412–419, 1999.
19. Brynes AE, Mark Edwards C, Ghatei MA, Dornhorst A, Morgan LM, Bloom SR et al. A randomized four-intervention crossover study investigating the effect of carbohydrates on daytime profiles of insulin, glucose, non-esterified fatty acids and
triacylglycerols in middle-aged men. Br J Nutr, v. 89, p. 207–218, 2003.
20. Law MR, Frost CD, Wald NJ. By how much does salt reduction lower blood pressure?
III-Analysis of data from trials of salt reduction. Br Med J, v. 302, p. 819– 824, 1991.
21. Sacks FM, Svetkey LP, Vollmer WM et al. Effects on blood pressure of reduced dietary sodium and the Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) diet. N Engl J Med, v. 344, p. 3–10, 2001

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